quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Diálogos com uma gênia

Um mês sem postar, o que é natural em se tratando de um blog meu. Mas eu me auto-desculpo, porque este último mês foi um dos mais frenéticos que já vivi em toda minha vida.
Como o último post foi sobre Marco Lucchesi, falo de uma gênia, Clarice Lispector.

Só este ano tomei coragem de ler Clarice a sério. Só de eu chamá-la de Clarice deve dar a exata dimensão do porquê. Essa intimidade toda foi criada pelos adoradores de Clarice, uma legião de gente triste e usuária de óculos com aro preto que circunda pela Argumento ou pela Travesa com desenvoltura, conversando com aqueles atendentes metidos a intelectuais da Travessa como se eles, os atendentes, tivessem tempo de ler os livros que vendem (mal). Essa turma de homossexuais ou simpatizentes ressentidos com a vida me fez achar que Clarice poderia ser tão mala quanto eles. A boa surpresa é que ela não é.

Clarice é uma dama amarga e irônica de verdade, dessas que tomava café frio às sete da manhã enquanto escrevia e se era chamada pra ir à praia, ao piquenique, ao evento de fulaninha dizia simplesmente: obrigada, estou trabalhando. Eu sei porque estava lá. Todos estávamos, nós os convidados para seu mundo cheio de sensações extra-corpóreas. Ela segue uma tradição do século vinte de reformulação do projeto realista-naturalista de narração, ou seja: o que se vê em Clarice é espelhamento de um interior, não a realidade, a verdade dos fatos. Nada tem uma única faceta, tudo é relativo e depende ( Algo bem século vinte também).

Clarice é complexa demais, multifacetada, e não prossigo utilizando minha ignorância pra falar desse ser único e brilhante, gênia da literatura mundial - é preciso que se diga. Leiam "A paixão segundo G.H.", está tudo lá. Descubram a barata da vida. Esqueçam o resto.

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