domingo, 19 de outubro de 2008

De volta com Caê e Atari Teenage Riot

Eu não me decepciono: sabia que tão logo criasse um blog ficaria séculos sem escrever nele. Não sou como o Caetano Veloso, que é superocupado e tem tempo para escrever em blog. Eu não, eu tenho tédio. Tive tempo de sobra pra estudar hoje e fui dormir, coçar o saco que não tenho ( real e metafórico, sacos, melhor dizendo). Sou compromissada com o novo mundo prometido em entrevistas por Domenico di Masi a mim, com uma pequena reversão da idéia do ócio: em vez do ócio criativo, doido para recontribuir para a continuidade do capital, o meu é vagabundo. Quero ser vagabunda. Quero fazer nada. Quero ver Silvio Santos, me levantar cansada de assistir o programa Tentação e ir na geladeira buscar meu copo de mate. Quero ser Jeff Lebowski, do filme dos irmãos Coen.

Mário, sempre ele, me apresentou ao blog do Caetano: www.obraemprogresso.com.br. Todo mundo já sabe que o Caetano é um poço de pretensão. O Caetano se acha tão foda que ele se comeria (metafórica e antropofagicamente), e tenho certeza que não estou sendo irônica ( ele se comendo, em qualquer das vias descritas, estaria sendo, sem a menor dúvida). Gostei de ver o Fagner na TV dizendo que o prazer da vida dele Caetano era discutir com ele Fagner ou esperar a primeira página do New York Times, na qual ele Caetano apareceria. Sim, isso é um resumo do caetanian way of life. Caetano quer estar na mídia e briga com todo mundo ( ou vice-versa), emitindo opiniões como se seu nome fosse Heidegger, Wittgenstein, Eco ou, pra não dizerem que fui muito eurocêntrica, Octavio Paz ou Borges. No corpinho magro de Caê não cabe profundidade, e é por isso que a galerinha Zona Sul, semi-alfabetizada em termos de critidade, come Caetano junto com cones japoneses e coca-cola zero. Penso principalmente em Ipanema ao escrever isso.
Me lembro bem do dia em que minha colega da fac de Francês, a Isabella, me alertou para o frescor do novo disco de Caê, o tal Cê. Belês, fui ouvir, mas nada baixava por aqui. Até que vi o Som Brasil Especial Caetano, com o próprio, acompanhado daquela banda cretina chamada Do Amor, que teve a coragem de fazer uma música-arremedo de Pepeu Gomes (não mexam com Pepeu, incompetentes). No meio do lance, pra usar uma expressão bem ao gosto do ilustre baiano, ele fez sua perfomance de Rocks, uma das canções do disco. Foi demonstração suficiente pra mim do tal Cê. No final daquela apresentação, me perguntei quem sabia menos de rock ´n roll: se Isabela ou Caetano. Decididamente, ele reformulou uma daquelas musiquinhas começo dos anos 80 que ele fazia pra tocar no Rock in Rio ou festivais de rock similares. Mas o pior foi a perfomance em si: vestido de funcionário público prestes a se aposentar, como ele tem gostado de aparecer em público hoje em dia, Caê tira sua jaquetinha jeans ( desculpem a redundância da idéia) de inspiração oitentista e mostra sua camisa Pólo surrada. Hoje em dia, rico usando roupa com cara de liquidação da Citycol é chique. Eu juro que senti vergonha pelo Caetano e por tudo aquilo que ele representou pra pessoas como eu. Mas honestamente, do jeito que ele veio ficando senilmente idiota, tacitamente acreditando ser um deus da música brasileira, merece a morte ou ser ladeado pela Do Amor, o que dá no mesmo.

Mário me alertou para o fato da Atari Teenage Riot ser uma banda que merece atenção. Esta banda me foi apresentada por Rodrigo Vilela, atualmente um dos cabeças do Bonde do Rolê. Tá, eu sei que ninguém acredita nisso, tudo bem. Mas é verdade. O Vilela foi o meu proto-Mário, um cara que me apresentou Radiohead e Manic Street Preachers, tudo na mesma época. Eu tinha adoração pelo Rodrigo como tenho agora pelo Mário, sabia que ele era a pessoa certa para estar ao meu lado. Fiquei anos perguntando a um e outro onde ele estava, para onde ele tinha se mudado depois do fim do colégio, até vê-lo na MTV. A mesma bichinha gorda daquela época, dez anos mais velho. Rodrigo, menor de idade, bem mais que eu, ia
a todos os shows legais, e foi, é claro, no do Riot. Me mostrou as fotos tiradas no show dos branquelos alemães e achei tudo ridículo e esporrento- porque ele também me mostrou a música, o melhor. Mas levei doze anos para entender aquilo. Ontem reouvi e achei que aquele ódio, hoje dos trintões ou quarentões do Riot, faz muito sentido. Nascer num país tão vaidoso, cheio de si e de sua cultura, e mandar destruir 2000 anos de cultura ou queimar Berlim é realmente deliciosamente anárquico. Gratuito, mas pelo menos bastante divertido. Bem adolescente, mas adolescente o Caetano também é e, bobeira por bobeira, fico com a de além-mar.
Até o próximo post, que espero seja logo.

Um comentário:

mario elva disse...

Porrada neles. De preferência ao som de "Speed" do Atari Teenage Riot.