quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Lou Reed- Man of good fortune



Se nada mais restar na Terra a ser feito, façam um altarzinho particular para Lou Reed, assim como o fez o pequeno Antoine Doinel em Les 400 Coups do Truffaut para o sr. Honoré de Balzac. Quem não ouviu o trabalho de Reed é triste, agora sei. Mas ainda mais triste é quem não reouviu. Coisa linda. Até as demo tapes com a Nico são bonitas. Lou não tem nada de especial: é feio, é velho, é desafinado pra burro, está fora de moda. Ou seja, segundo as leis do marketing de guerrilha da cena musical, já deveria ter sido defenestrado. Mas eis que é convidado pelos The Killers, banda incensadíssima do mainstream atual, a gravarem juntos a bela Tranquilize. Musicalmente, todos devem ao Lou: até David Bowie. O Bowie como conhecemos não seria o que foi sem o Lou, agora sei também. E estes dois guardam uma relação intensa com a idéia de transformação ( ou transformismo, se quiserem) e com a cidade de Berlin. É fabuloso.
Tenham paciência. Lou se entrega com dificuldade, faz escolhas difíceis, é vaidoso aos horrores. Ainda assim, ouçam o Velvet quantas vezes forem necessárias até entender o tesouro escondido ali. Vai valer a pena.

P.S. A primeira vez que vi, não ouvi, Lou Reed na vida foi no filme Sem fôlego, continuação de Cortina de fumaça, filme cult da década de 90. Lou comentava que vivia em Nova Iorque porque detestaria viver em um lugar como a Suécia, onde há impresssos os telefones da emergência nos frascos de remédios para o caso de suicidas arrependidos.

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