terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Manoel de Oliveira - 100 anos



Este gênio acima acaba de completar cem anos. Manuel de Oliveira é não só um grande nome do cinema lusófono da atualidade, como um dos maiores diretores vivos. É co-irmão da simplicidade e doçura cotidiana de Yasujiro Ozu, mas ferino nas suas assertivas sobre o humano, em especial sobre o povo português e Portugal, dois de seus grandes temas. Trabalha com grandes atores do cinema europeu do passado, tais como Michel Piccoli (protagonista de "O desprezo", de Goddard, quase irreconhecível atrás da pele do velho ator de "Vou para casa", o testamento cinematográfico de Manuel) e Catherine Deneuve ("Vou para casa", "Memorial do convento"), além de importantes nomes do cinema americano, ex. John Malkovich, talvez o maior ator estadunidense vivo ( excluí Al pacino e Dustin Hoffmann desta citação), deslumbrante tanto em "Vo0u para casa" e "um filme falado" e Lima Duarte ( sim, a América do Sul também é América). Com Manuel, Lima Duarte livra-se da pecha de ator televisivo e ganha papéis como o do padre Antonio Vieira ("Palavra e utopia", até onde sei inédito no Brasil).
Se conhecer a obra deste senhor se tornou obrigatório, veja "Um filme falado". Aula de história e de resentimento e tristeza de um português com os descaminhos históricos de seu país, maus passos que o levaram a ser desincluído da grande mesa da história da civilização ocidental. E isso é apresentado em uma metáfora tão bonita, na cena do jantar no navio e .. Ah, deliciem-se vocês mesmos com esta obra onde menos é mais.
Feliz Natal.

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