domingo, 3 de maio de 2009

Dúvida




Esqueça o cinema. Se você é atriz frustrada como eu, veja Dúvida só pelos atores. Eles são tão vitais para esse filme que fiz questão de colocar uma foto dos quatro principais. E, quando se fala em atores, no que se pensa? Em teatro. Dúvida é um filme a partir de peça escrita pelo próprio diretor, ou seja: pouco mais que teatro filmado. Um movimento de câmera aqui, outro acolá, mas a linguagem reinante é a teatral. E, como no teatro, os grandes atores deitam e rolam. Neste caso específico, os da foto acima: Viola Davis, Amy Adams, Meryl Streep e Philipp Seymour Hoffman, respectivamente.
Milk, o mais recente filme do Gus van Sant, ganhou prêmio coletivo de atuação, como vi no IMDB (www.imdb.com). O que me espanta é que este aqui não tenha ganho também, um raro filme em que até as crianças são ótimos atores, sem aquele artificialismo horroroso característico da televisão aberta brasileira. P. S. Hoffman perdeu seu Oscar de "Ator Coadjuvante" (primeira gargalhada, ele é o protagonista masculino do filme) para Heath Ledger (segunda e mais profunda gargalhada, quem viu Brockback Mountain e Batman sabe por quê). A história é simples: na década de sessenta, padre liberal e branco de escola católico-irlandesa possui forte ligação afetiva com o primeiro aluno negro do estabelecimnto, levando a irmã diretora a duvidar da conduta dos dois e achar que se trata de caso de abuso sexual. O restante é banho atrás de banho de Hoffamn e Meryl Streep, que devia ter levado o Oscar, apesar da Winslet também ter merecido o seu - mas era tão flagrante que ela merecia menos, que até no discurso de agradecimento a inglesa brincou com a americana, dizendo "Esta é minha vez, Meryl". A cena da discussão da irmã e do padre no gabinete da direção é item obrigatório nas aulas de artes dramáticas voltadas para o cinema a partir de agora. Assim como os dez ( sim, você leu certo) minutos em que Viola Davis aparece em cena, em especial os três minutos finais de sua aparição. É tanta angústia naquela mãe que, sinceramente, poucas atuações serão tão contundentes até o final do ano. Sem contar a outra revelação do filme, a doce e ambivalente irmãzinha de Amy Adams.
É isso, amigos. O superestimado Ledger ( só Terry Gillian o fez atuar, mas ele controlava o Monty Phyton, não vale) ganhou seu Oscarzinho de Ator Coadjuvante, em mais uma demonstração atroz de puxa-saquismo por parte da Academia de Hollywood. Mas filmes como este serão, no futuro, usados como exemplo das famosas injustiças do Oscar, que privou um dos maiores atores de cinema da atualidade, P.S.Hoffman, de um Oscar que era mais que seu - mesmo concorrendo com Downey Jr. Sinceramente, nem acho que o Hoffman deveria concorrer mais, é covardia com os colegas.

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