domingo, 14 de abril de 2013

O Rio sem chuteiras

Millôr Fernandes, em sua verve deliciosa, disse uma vez que nós, mulheres, nos expressamos com "vaguidão inespecífica". Munida desse espírito impreciso, vou falar de um assunto que me interessa, embora eu tenha uma ideia muito vaga de seus meandros internos: futebol. Carioca. Pouca coisa, mas é preciso dizer.
O(A) torcedor(a) do Rio é obrigado (a) a assistir os paulistas ganhando quase tudo de uma década para cá, dentro e fora do país. À exceção do Fluminense e do Vasco (Copa do Brasil), não me recordo de outro time que tenha vitórias muito expressivas fora do Rio. O Estadual virou a Superliga para os quatro grandes, pela grande falta de profissionalismo da área. 
O futebol, como quase tudo na cidade do Rio de Janeiro, vive uma crise de identidade pela improbidade administrativa, antiética profissional e o orgulho fátuo que nos leva a crer que somos a cidade mais interessante do país. São Paulo já nos passou faz tempo, mas nos recusamos a ver o óbvio e com isso continuamos a descer a ladeira.
Minha bronca maior vai para o Roberto Dinamite, presidente que prometeu entrar no Vasco para promover uma "faxina" e, bem, deu no que deu. Precisamos acabar com essa mania de querer levar vantagem em tudo, "farinha pouca, meu pirão primeiro". Essa cultura está nos matando e acabou com uma das coisas que o Rio tem de melhor, o futebol, mero sintoma de um grave problema moral da cidade, em todos os campos.
Se continuar assim, com tanta má gestão, periga de, em pouco tempo, o Estadual ser o único lugar onde os times do Rio, os quatro grandes juntos, poderão se exibir grandiosos. Tem-se de se pensar para frente, adiante, mas, por enquanto, os dirigentes se comportam como quem quer dinamitar a galinha dos ovos de ouro.

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